Matematica Essencial: Maximos e Minimos de funcoes
Máximos e Mínimos: Derivada Implícita
Roteiro geral Conceitos básicos Teste da primeira derivada
Teste da segunda derivada Médias: Arit-Geom-Harm Aplicações numéricas
Aplicações geométricas Aplicações práticas Derivada Implícita

  1. Derivada implícita com exemplos numéricos
    Antes de introduzir uma regra geral que permite obter os extremos de uma função definida implicitamente por F(x,y)=0, apresentaremos dois exemplos numéricos com funções conhecidas.

    1. Exemplo: Consideremos a curva conhecida como Folium de Descartes, definida implicitamente por


      Problema: Obter o ponto da curva que está a maior distância do eixo horizontal (altura máxima). Para resolver este problema, devemos obter o ponto de máximo de y=y(x) e a dificuldade é obter de forma explícita y=y(x). Embora exista a fórmula de Tartaglia-Cardano para resolver o problema, a expressão desta função y=y(x) é muito complicada. Existem outras situações que nem mesmo é possível explicitar y=y(x). Para contornar estes problemas, usaremos a derivação da função definida implicitamente pela curva:


      Para realizar a derivação implícita, subentendemos que existe y=y(x) de modo que ao substituir y por y(x), tenhamos apenas uma função da variável x. A derivada implícita desta função é:


      Simplificando, obtemos


      Desta relação, já temos a derivada y '=y '(x):


      Os pontos críticos xo são aqueles nos quais a primeira derivada se anula, isto é, y'(xo)=0. Assim, existe uma solução trivial P=(0,0), mas é fácil perceber que este ponto pertence à curva dada. Para obter outros pontos críticos, devemos resolver o sistema formado pelas duas equações:


      Este sistema fornece o ponto crítico Q=(xo,yo), dado por:


      Para evitar as frações, usaremos a expressão:


      Realizando a derivada implícita desta última relação, obtemos:


      Tomando esta relação no ponto x=xo e levando em consideração que y'(xo)=0, a expressão fica bem simples:


      Substituindo os valores de xo e yo, obtemos:


      o que garante que xo=a.21/3 é um ponto de máximo e yo = a.41/3 é o valor máximo de y=y(x).

    2. Exemplo: Consideremos a elipse rodada em relação aos eixos normais, definida implicitamente por


      Nosso objetivo é obter os extremos desta curva no plano cartesiano. Aqui existe também a dificuldade em explicitar y=y(x). A fórmula quadrática (atribuída a Bhaskara) resolve o problema mas a expressão de y=y(x) fica complicada. Obteremos as duas primeiras derivadas de y=y(x), usando o processo de derivação implícita.

      Para realizar a primeira derivada implícita, vamos subentender que existe y=y(x) de modo que substituindo y por y(x), tenhamos apenas uma função da variável x. A derivada implícita desta função é:


      Simplificando, obtemos


      Desta relação, temos a derivada:


      Os pontos críticos xo são os que anulam a primeira derivada, isto é, y '(xo)=0. Dessa forma, a solução depende do fato que y+2x=0. Como sabemos que este ponto pertence à elipse dada, basta resolver o sistema:


      Este sistema fornece os pontos P=(-1,2) e Q=(1,-2).

      Para obter a segunda derivada implícita, usaremos a expressão


      Realizando a derivada implícita desta relação, obtemos:


      Tomando esta relação em qualquer dos dois pontos críticos, obtemos:


      O ponto P=(-1,2) é ponto de máximo, pois


      O ponto Q=(1,-2) é ponto de mínimo, pois

  2. Regra geral com derivada implícita
    Seja uma função definida implicitamente por


    Como em alguns casos, não é possível explicitar y=y(x) tal que


    utilizaremos derivadas parciais de F em relação a x e de F em relação a y, denotadas respectivamente por Fx e Fy, para realizar a derivada implícita da função e nesse caso, obteremos:


    Esta última relação pode ser simplificada na forma:


    donde segue que


    Usando a expressão:


    podemos realizar mais uma derivada implícita, para obter:


    Como nos pontos críticos P=(xo,yo), temos que y'(xo)=0, então:


    e assim temos que


    Conclusão: Seja P=(xo,yo) um ponto crítico para y=y(x) que subentende a forma explícita da função F(x,y)=0, isto é, y'(xo)=0.

    1. Se Fy(P) e Fxx(P) tiverem o mesmo sinal, P será ponto de máximo para função F(x,y)=0.
    2. Se Fy(P) e Fxx(P) tiverem sinais diferentes, P será ponto de mínimo para função F(x,y)=0.


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